A
criança pequena que assume o papel da bailarina está experimentando
como é adotar o papel de outra pessoa. Ela imita movimentos,
maneirismos, gestos, expressões: ela realmente sente como é estar
vestida com um tecido armado como o tule, as texturas contrastantes, as
propriedades que elas oferecem e as diferentes qualidades e posturas
físicas que inspiram.
Através
do espelho, ela se examina em uma outra aparência, provavelmente
estimulada também por vários fatores como a brilhante cor cereja do
tecido e o contraste branco-creme do tule, a forma diferente de seu
corpo com esta roupa especial, e como ela “se ajusta” ao quadro
apresentando pela imagem no espelho. Ao fazer piruetas está explorando
suas próprias capacidades físicas, hesitantes e desajeitadamente, a
princípio, mas com uma pose e agilidade que aumentam rapidamente. Ela
não está tentando ser aquela bailarina e ainda está firmemente
posicionada no mundo da infância, o que fica evidente pela melodia
infantil que está cantarolando. Sobre este tipo de brincar, Kami afirma:
O adulto que rabisca está explorando o meio disponível de maneiras previamente não-descobertas, como uma repetição consciente ou inconsciente de um desenho previamente encontrado ou variações sobre um tema. Isso pode ou não ter um propósito, dependendo do adulto específico e do papel ao qual ele normalmente está associado, tal como o de artista gráfico, pintor amador ou calígrafo. Um aspecto importante é que este tipo de brincar exploratório, que segundo Kishimoto (1994) é uma preliminar do brincar real, só será uma preliminar do brincar se a pessoa fizer caligrafia ou pintar apenas como passatempo.
Poucos
negariam que o brincar, em todas as suas formas, tem a vantagem de
proporcionar alegria e divertimento. Almeida (2004) chega ao ponto de
dizer que o brincar “desenvolve a criatividade, a competência
intelectual, a força e a estabilidade emocionais, e sentimentos de
alegria e prazer: o hábito de ser feliz”. Inversamente, parece que o
brincar pode e ocorre no contexto de resolver conflitos e ansiedades, o
que é aparentemente contraditório. Entretanto, considere esta afirmação
de Kami (1991), “uma nova experiência, se não for assustadora,
provavelmente atrairá primeiro a atenção for investigado é que ele
poderá ser tratado mais levemente e ser divertido”.
A
estimulação, a variedade, o interesse, a concentração e a motivação são
igualmente proporcionados pela situação lúdica. Se acrescentarmos a
isso a oportunidade de ser parte de uma experiência que, embora
possivelmente exigente, não é ameaçadora, é isenta de constrangimento e
permite ao participante uma interação significativa com o meio ambiente,
as vantagens do brincar ficam mais aparentes.
Mas
o brincar também pode proporcionar uma fuga, às vezes das pressões da
realidade, ocasionalmente para aliviar o aborrecimento, e às vezes
simplesmente como relaxamento ou como uma oportunidade de solidão muitas
vezes negada aos adultos e às crianças no ambiente atarefado do
cotidiano. Pois embora as qualidades sociais do brincar sejam as que
recebem supremacia quando pensamos sobre o conceito, ele é e deve ser
aceito como algo privado e interno para o indivíduo quando esta for a
sua escolha. Isso se aplica igualmente às crianças no turbilhão de
atividades na escola e em casa.

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